16 de nov de 2017

Nova diretriz reduz limite para Hipertensão Arterial

Periodicamente, especialistas, reunidos em comunidades e fóruns específicos analisam as condições de promoção de saúde, tratamento e prevenção de doenças e estabelecem diretrizes que visam regular, padronizar ações e orientar profissionais de saúde e informar a população em geral sobre temas específicos.

Recentemente, novas diretrizes têm alertado a população para o risco cada vez maior de desenvolvermos doenças crônicas (como diabetes, hipertensão arterial e dislipidemias), fruto de nosso hábito cotidiano cada vez mais acelerado e estressante, sedentário e com péssima alimentação. E assim, têm modificado os índices de referência nas taxas específicas indicadoras dessas doenças.

A mais recente, envolveu a HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS): A Associação Americana do Coração, atualizou suas informações indicando a leitura 130/80mmHg como indicativa de alerta para Hipertensão (traduzindo: o popular "13 por 8" passa a ser considerado "pressão elevada". Os valores considerados normais ideais continuam sendo abaixo de 120/80mmHg.

SEM PÂNICO: Essa mudanças não significam que numa única medida que for tomada igual ou acima desse valor já lhe colocará como "hipertenso". O próprio guideline recomenda ao menos 3 medições em momentos distintos e com equipamentos qualificados. Sendo ainda recomendado o MAPA 24h, para diagnosticar a doença.

SEM REMÉDIOS: Outro fator preocupante é quanto a prescrição indiscriminada de medicações ou mesmo a automedicação, resultante do alarde causado pela proliferação de informações como essa sem as devidas ponderações. O índice "13 por 8", como informado anteriormente é um SINAL AMARELO! Um indicador de que já passou da hora de adotar hábitos mais saudáveis URGENTEMENTE, uma vez que seu risco de desenvolver complicações da pressão alta é DUPLICADO, segundo esses especialistas. Não saia tomando remédios sem a devida orientação.

DESDOBRAMENTOS: Essas diretrizes americanas foram divulgadas nesta semana, e já tiveram enorme repercussão na mídia, mas possivelmente as organizações nacionais ainda irão se pronunciar a respeito, com o intuito de melhor orientar a população, inclusive trazendo dados relativos a população brasileira.
Controle o estresse, reduza seu peso,
limite o álcool, não fume
e pratique exercícios



CONSULTE PROFISSIONAIS: Não adie seus cuidados com a saúde! Nessas novas diretrizes existem ainda recomendações de ordem nutricional (como aumento na ingestão de potássio), e de tratamento medicamentoso (apontando a medicação como indispensável apenas no estágio 2 da HAS, e restrições no uso dos betabloqueadores). Portanto, é imprescindível que você seja orientado por profissionais qualificados e especializados que possam orientar da melhor maneira quanto a prevenção e controle da HAS, através de dieta e exercícios físicos, bem como uma prescrição medicamentosa adequada e apenas quando realmente necessário. 


Confira abaixo a tabela de referência dos índices para Pressão arterial:

A pressão arterial passa a ser classificada como
  • Normal : quando PAS < 120mmHg + PAD < 80mmHg;
  • Elevada quando PAS estiver entre 120 e 129mmHg + PAD entre 80 e 89mmHg
  • Estágio 1 – Quando PAS estiver entre 130 e 139mmHg ou PAD entre 80-89mmHg
  • Estágio 2 – Quando PAS estiver acima ou igual a 140mmHg ou PAD acima ou igual a 90mmHg

10 de nov de 2017

Cólicas e dores menstruais podem ser aliviadas com atividade física

Todo o processo menstrual que as mulheres enfrentam periodicamente é acompanhado de sintomas e sinais que se manifestam de formas diferentes. Porém, alguns desses sintomas são bastante comuns para por partes delas. A dor menstrual é um desses, e pode ocorrer de maneira tão intensa a ponto de incapacitar a mulher para suas atividades diárias. Essa cólica menstrual, também conhecida como dismenorreia pode ser primária (mais comum) e secundária (que pode estar associada a algum tipo de anormalidade como infecções, uso de medicamentos, mioma, etc.). Quando é intensa, pode trazer consigo outros sintomas como dor de cabeça e náusea.


Para alívio da dor, prevenção e redução dos sintomas, algumas medidas são recomendáveis tais como: banho morno, compressa quente na região do ventre e massagens relaxantes. E dentre as recomendações mais uma vez aparecem os exercícios físicos regulares como alternativa importante. Desde uma sessão de alongamentos, aula de yoga ou pilates, aos treinos mais tradicionais, estudos científicos têm demonstrado a eficácia no combate a dor menstrual. Obviamente, as mulheres com crises mais intensas devem evitar as atividades mais vigorosas (possivelmente sequer conseguiriam ou teriam disposição para isso), mas mesmo assim conseguem se beneficiar das atividades mais leves. 


Hidroginástica pode ser uma boa opção
Ainda não são bem esclarecidos os mecanismos que são capazes de promover essa melhora no quadro de dor através da atividade física, essa é uma preocupação ainda recentes, os estudos são poucos, mas sempre apontando aspectos positivos para as mais variadas atividades. Possivelmente, pelo fato do exercício físico de modo geral promover uma sensação de bem estar, com liberação de hormônios relaxantes, por possibilitar uma melhoria no condicionamento físico geral e maior resistência à dor, isso deve se refletir no caso da cólica menstrual. Durante o exercício, ocorre uma vasodilatação que permite um maior aporte sanguíneo à musculatura, essa irrigação também produz um certo efeito analgésico, refletindo na menor incidência e intensidade de dor. Como efeito a longo prazo, pode ser possível que a mulher não sinta mais tais sintomas, ou tenha reduzido a tal ponto de não necessitar tomar medicamentos, ou interromper suas atividades.


Por isso, mais uma vez é importante ressaltar, que o exercício físico não deve ser praticado apenas quando temos um determinado objetivo, deve ser um hábito de vida, nossa saúde só tem a ganhar se cultivarmos esse bom hábito.

Leia alguns artigos científicos sobre o tema aqui:
http://www.efdeportes.com/efd232/influencia-do-exercicio-fisico-na-dismenorreia.htm
http://www.scielo.br/pdf/rdor/v13n2/04.pdf
https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/RBAFS/article/download/704/714



***Esse texto, de minha autoria, foi postado também no site do nosso grupo Welfare Trainer.  Vale a pena você também conferir outros textos por lá.

21 de ago de 2017

Padrões de beleza, sacrifício e culpa

Em nosso cotidiano somos constantemente bombardeados por imagens e símbolos que remetem ao corpo perfeito, um padrão determinado por tipos físicos magros, porte atlético, medidas proporcionais, musculatura bem definida e percentuais de gordura baixos.

Aos que se encaixam nos padrões, os olhares, as oportunidades, a fama. Aos que fogem à regra, a tristeza, a vergonha, a inveja, ou a luta incansável para se aproximar ao máximo possível daqueles modelos e, assim, sair da invisibilidade e recuperar a autoestima.

Os padrões que parecem impostos pela sociedade de maneira insensível são determinados por nós mesmo quase que inconscientemente quando enxergamos determinadas características como sinônimas força, saúde e fertilidade. Uma herança evolutiva muito bem aproveitada pela mídia e pelos que vendem seus produtos e serviços neste ramo. Estes radicalizam esses parâmetros desconsiderando diferenças étnicas, culturais e até mesmo limites genéticos, enrijecendo e universalizando a imagem de “corpo ideal”.

E deste cenário pouca coisa realmente benéfica se consegue extrair. Na maioria das vezes, temos a frustração de quem lutou por anos a fio, com dietas, treinos pesados, produtos cosméticos, intervenções cirúrgicas sem alcançar definitivamente tal padrão. Ou ainda, a revolta dos que se negam a limitar seus prazeres, “gastar dinheiro e tempo” admitindo que viverão à margem desses parâmetros mas aproveitando tudo o que a vida tem a oferecer.

Mas, e como profissionais da área? O que devemos recomendar? Sim, nós trabalhamos de certa forma com padrões de beleza. Alcançar objetivos estéticos também faz parte dos objetivos de quem trabalha com Educação Física. Porém, há um ponto crucial: como profissionais de saúde, antes de “moldar” corpos bonitos, buscamos, sobretudo tornar as pessoas saudáveis. Conciliar essas metas seria o cenário perfeito, mas temos de reconhecer que não é fácil, não é rápido e, infelizmente não é alcançável a todas as pessoas (ao menos, não de maneira sadia, definitiva e segura).

Nos cabe então, a franqueza com nossos alunos/clientes, ao explorar dele toda a sua potencialidade ainda que não chegue ao dito padrão. Construir na mente dessas pessoas a ideia de que embora não seja necessário aceitar as pressões externas que nos são impostas a ponto de querer recorrer a métodos perigosos e contraproducentes, buscar alcançar tais padrões não é uma atitude reprovável. Ao contrário, ainda que estejamos distantes dos “modelos de perfeição”, cada passo (de forma segura e saudável) que damos em direção a eles, nos afastamos do extremo oposto que seria o desleixo com a saúde de forma geral, o que fatalmente nos levaria a enfermidades e uma péssima qualidade de vida. 

Sim, você se ama e não precisa se submeter aos sacrifícios absurdos que costumeiramente observamos, mas seu corpo precisa de cuidados permanentes e você se ama o suficiente para manter-se sadio.

27 de jun de 2017

Fuja dos "pitaqueiros"

Você já parou pra notar quanta gente aparece para dar pitacos (aqueles conselhinhos nem sempre muito úteis) sobre nosso treino, nossa alimentação, sobre tal exercício que “pega mais tal músculo”, ou aquele medicamente que “acelera a queima de gordura”? Muitos hein? Engraçado que boa parte deles vem de pessoas que tem problemas pra hipertrofiar, ou emagrecer e não conseguem solucionar. Seria talvez por que não fazem o básico?

Encontramos pessoas nas academias que praticamente nunca seguem o treino prescrito pelo professor, vivem inventando ou reproduzindo exercícios que viu na internet, além daqueles que não frequentam nutricionista, mas gastam fortunas com produtos consumidos por conta própria. E apesar disso tudo, não mostram nenhum resultado satisfatório, ou pelo menos, nada muito diferente do trivial.

Mesmo que essas pessoas tivessem grandes resultados com seus “métodos”, é impossível garantir que o que funcionou pra elas funcione da mesma maneira para você. São organismos distintos que reagem de maneira diferente a estímulos diversos.

Sim, esse texto fala apenas o que você certamente já deve ter ouvido do seu professor. Experimente ouvi-lo. Afinal, você passou por uma avaliação física e contou seus objetivos, o professor avaliou seus limites, suas potencialidades e prescreveu seu treino de forma adequada a isso. Sendo então uma maneira eficaz e segura de alcançar suas metas dentro de um tempo razoável. Sua paciência e disciplina com certeza levarão ao sucesso de forma saudável.

Use a dedicação e o tempo que gastaria para ouvir pitaqueiros de plantão ou blogueiras fitness para seus treinos. Use o dinheiro que seria gasto com suplementos e medicamentos desnecessários para pagar bons profissionais. Sem dúvida o custo-benefício será mais vantajoso.


DICAS ADICIONAIS:

- Sua academia não faz avaliação física? MUDA DE ACADEMIA;
- Na academia o professor não acompanha seu treino? MUDA DE ACADEMIA;
- Seu professor prescreve o mesmo treino pra todo mundo? MUDA DE PROFESSOR;
- Tem dúvidas? Procure profissionais e tire-as.

8 de jan de 2017

Gestantes podem se exercitar

Sim, é possível a mulher manter-se treinando durante a gestação, prática que inclusive é benéfica para a mãe e o bebê.

Apesar do excesso de cuidados com os quais cercam as mulheres no período gestacional, nunca é demais mencionar que GRAVIDEZ NÃO É DOENÇA! Portanto, não há o que justifique o afastamento absoluto dos treinos e outras atividades de seu cotidiano. Há de se convir que algumas atividades cotidianas ou de trabalho são tão extenuantes ou mais que um treino numa academia, e há mulheres  que seguem trabalhando até o nono mês da gravidez.

Claro que a mulher passará por diversas mudanças físicas, fisiológicas e psicológicas durante todo o processo de gestação e isso exigirá atenção e adaptação, mas com o devido acompanhamento clínico e prescrição de exercício responsável por parte do profissional de educação física, é possível tirar o máximo proveito dos treinos, garantindo um parto saudável e sem traumas.

Mulheres que se exercitam durante a gravidez comprovadamente apresentam menor ganho de peso, maior tolerância às dores do parto e tendem a ter bebês mais sadios. O processo de recuperação se dá em menor tempo e mais facilmente conseguem retornar ao seu peso anterior.

O ideal é que a preparação ocorra já alguns meses antes de engravidar. Isso requer planejamento. É mais vantajoso que a mulher já esteja adaptada à rotina de treinos e aos exercícios previamente. Os exercícios em si devem ter como objetivo o fortalecimento do core e assoalho pélvico, a resistência dos membros inferiores e a melhora da condição cardiorrespiratória. 

A prescrição deve levar em conta as alterações do centro de gravidade, alterações posturais o ganho de peso e a consequente sobrecarga nas articulações e coluna. Assim, uma estratégia interessante é possibilitar uma grande variedade de estímulos, aliando treinamento de força, com exercícios aeróbicos além do treino de flexibilidade; até variar o ambiente é válido (parque, piscina, academia). A intensidade dos treinos pode ser controlada pela escala PSE (percepção subjetiva de esforço). Alguns cuidados devem ser observados como evitar exercícios em posição supinada, atentar para exercícios com instabilidade ou que exijam longos períodos em pé ou isometria, além de realizar sempre com roupas leves e com clima confortável.

O objetivo principal nesse período não é o rendimento, não é estético, é proporcionar uma gestação saudável que traga benefícios para a mãe o filho.  Converse com seu professor, tire todas as suas dúvidas e vá vem frente!
***Texto publicado também no site welfaretrainer.com.br