16 de fev de 2018

Ciência ou Prática?

Quando falamos em ciência, dificilmente observamos um método como perfeito e infalível. E quando o assunto é saúde, obviamente isso não é diferente. Assim, não é raro encontramos verdadeiros debates sobre uma técnica, um método, um alimento, ou tipo de treino que poderia trazer melhores resultados que outro, ou mesmo contraindicando algum tipo de exercício, medicamento, ingrediente por trazer malefícios à saúde. Esses debates são sadios, e movem a ciência a sempre buscar o melhor caminho. O problema ocorre quando isso foge totalmente ao que é científico e fica meramente baseado em "achismos".

A ciência se desenvolve a partir de pontos de vista diferentes
Nas redes sociais, é bem fácil encontrar verdadeiras armadilhas. Recentemente, o grande vilão da nutrição parece ser o leite. Ver o diabo encarnado parece ser mais vantagem que beber um copo de leite. E os textões na internet se multiplicam com cada história digna de filmes de terror dos bem elaborados. Um pânico desnecessário e infundado, quando se analisa com mais calma os fundamentos realmente científicos sobre os benefícios ou as desvantagens  da ingestão de qualquer tipo de alimento.

O mesmo tem acontecido na área da Educação Física. Hoje é possível acompanhar grandes profissionais que postam suas produções de pesquisas na rede e vez por outra nem sempre são ideias convergentes. Mas como vivemos no auge da geração "mimimi", muitas pessoas preferem tomar partido de um ou outro lado e satanizar o "opositor", tal como na política, tal como no futebol. HIIT é melhor que Aeróbico contínuo? Agachamento é melhor que Flexão de joelhos? Exercícios isolados para pequenos músculos são inúteis? Zumba emagrece mais que crossfit? Enfim... cada lado que faça sua afirmação e deseje o fim daquilo com o qual ele não concorde.
BEM X MAL - Será mesmo assim???

Qual minha posição sobre essas questões? Que tal se eu ficar em cima do muro? Sim, uma resposta bem política, nem por isso impensada. Pois, nesses casos acima (e em vários outros) não há um lado correto. Talvez exista, sim, uma alternativa que traga resultados mais visíveis e mais rápidos, ou que sejam mais práticos de utilizar em determinado grupo ou ambiente, mas certamente todos eles são capazes de trazer algum resultado, bastando analisar melhor o contexto inserido.

Eu não vim trazer respostas nesse texto, apenas alertar. Antes de confiar 100% num textão de internet, verifique de onde parte, quem é a fonte da informação e se a pessoa possui qualificação para tratar de determinado assunto. Procure sempre uma segunda opinião com outros profissionais. Duvide, e questione de qualquer resposta radical. E entenda, finalmente, que o profissional que te acompanha, tem a possibilidade de compreender melhor como seu corpo reage, do que quem trás opiniões de longe.
Bons treinos!

10 de jan de 2018

#papopóstreino - SAÚDE DA COLUNA

No primeiro vídeo da série #papopóstreino, eu juntamente com os demais professores do Grupo Welfare, debatemos sobre a saúde da coluna com a participação do fisioterapeuta Túlio Eskinazi. Um bate papo bastante abrangente e informativo. Vale a pena conferir, e se pintar alguma dúvida, deixe nos comentários e faremos questão de buscar ajudar. Não se esqueça de se inscrever no nosso canal!


6 de jan de 2018

Papo Pós Treino - Novo Projeto do Grupo Welfare

O Grupo Welfare agora tem seu canal no Youtube.
No quadro PAPO PÓS TREINO, os profissionais junto com convidados debatem sobre os mais diversos temas de atividade física e saúde de forma leve e descontraída.
Os videos de apresentação já foram postados, clique no link, se inscreva e compartilhe com os amigos.
O próximo vídeo sairá no dia 10/01 e debateremos a Saúde da Coluna, com nosso convidado o Fisioterapeuta Túlio Eskinazi.

Está imperdível!

https://www.youtube.com/watch?v=dO8hE4HUfak

27 de dez de 2017

Por uma vida saudável: Use as escadas!


Quantos de nós, na ocasião de escolher entre subir um ou dois andares pela escada comum ou pelo elevador opta pela escada? Engraçado como nosso corpo, moldado para a atividade física por questões de sobrevivência de nossos ancestrais, hoje quase não pensa duas vezes na hora de poupar energia. Nos dias atuais, as grandes invenções têm como objetivo facilitar nossas vidas, tornando tudo mais prático e com menor “desperdício” de tempo. Mas o que é lucrativo por um lado, por outro cobra seu preço: hoje temos uma população sedentária, obesa… doente.

Visando controlar essa epidemia e seus impactos econômicos de médio e longo prazo, algumas entidades privadas e órgãos governamentais têm incentivado a prática regular de atividade física das mais diversas maneiras. Uma delas envolve o uso rotineiro de escadas nesses estabelecimentos.

Em muitos desses locais, as escadas são espaços praticamente esquecidos, sendo utilizados apenas em situações de emergência, na pane de elevadores ou escadas rolantes, em alguns casos o espaço é inclusive utilizado como depósito de materiais descartados. São muitas vezes degradados, mal localizados e acabam por desestimular ainda mais sua utilização.

Exemplo de campanha educativa de estímulo
ao uso de escadas para promoção de saúde
Atentos a isso, REIS et al (1) investigaram como a intervenção nesse ambiente poderia influenciar o uso. Para isso, utilizou-se as escadas de dois prédios na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), um deles mais iluminado e decorado, consequentemente mais utilizado. O outro era mais utilizado por homens transportando cargas. Ao compor o espaço da primeira escada com obras de arte, cartazes, música ambiente, artesanato as pessoas sentiram-se mais motivadas a utilizar. COHEN (2), em seu estudo sobre os efeitos da intervenção para uso das escadas na promoção de saúde, observou que as campanhas de incentivo para o uso das escadas podem incrementar o uso em até 20%.

NUÑEZ et al (3), estudou o impacto do uso das escadas na saúde física, observando um grupo de 50 pessoas por 12 semanas que foi incentivado a utilizar exclusivamente as escadas de um hospital universitário diariamente. Este grupo apresentou redução significativa do peso médio corporal, da média do IMC, além de redução na circunferência de cintura e aumento da força muscular. Ainda foram observados resultados favoráveis quanto a pressão arterial, frequência cardíaca e percentual de massa magra.

O uso repetido das escadas no local de trabalho tem o poder de melhorar a saúde dos funcionários (2), é uma atividades tolerada e vigorosa o suficiente para promover benefícios cardiovasculares, mesmo em apenas 10 minutos de atividade por dia. No mesmo estudo de COHEN (2), observou-se que o uso por 12 semanas foi capaz de promover, de forma duradoura, perda de peso, redução do percentual de gordura, diminuição da pressão sistólica e colesterol LDL.

Considerando que atividades de curta duração aumentam a aderência à sua prática(1) e que o simples ato de subir e descer escadas pode ter resultados até mais eficazes que o jogging(2), por ser de fácil acesso e baixíssimo custo as ações de saúde pública e campanhas que incentivem essa mudança de hábito pode ocasionar uma considerável redução dos gastos governamentais com saúde, bem como melhorar a produtividade e qualidade de vida dos funcionários de setores públicos e privados. O uso de escadas é apenas um dos exemplos de intervenção e atividade física simples e de baixo custo. O corpo humano é capaz de responder positivamente aos mais diversos estímulos físicos, basta que o homem esteja disposto a adotar hábitos mais saudáveis. Claro que há a necessidade de observar postura e as limitações e possibilidades físicas de cada indivíduo, e a orientação profissional faz a diferença quanto a essas particularidades.

(1) REIS, R.S. et al. Associação entre ambiente construído em prédios públicos, características dos usuários e uso das escadas. Rev. Bras. At. Fís. e Saúde, v.12, n.3, 2007. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/RBAFS/article/view/819

(2) COHEN, Shannon Munro. Examining the effects of a health, promotion intervention on the use of stairs. Journal of Articles in Support of the Null Hypothesis, v.10, n.1, 2013. Disponível em: http://www.jasnh.com/pdf/Vol10-No1-article2.pdf

(3) NUÑEZ, A.L. et al. Uso de escaleras en la salud física. Revista Biosalud v.13, n.2, p.36-47, 2014.Disponível em: http://www.scielo.org.co/pdf/biosa/v13n2/v13n2a04.pdf

16 de nov de 2017

Nova diretriz reduz limite para Hipertensão Arterial

Periodicamente, especialistas, reunidos em comunidades e fóruns específicos analisam as condições de promoção de saúde, tratamento e prevenção de doenças e estabelecem diretrizes que visam regular, padronizar ações e orientar profissionais de saúde e informar a população em geral sobre temas específicos.

Recentemente, novas diretrizes têm alertado a população para o risco cada vez maior de desenvolvermos doenças crônicas (como diabetes, hipertensão arterial e dislipidemias), fruto de nosso hábito cotidiano cada vez mais acelerado e estressante, sedentário e com péssima alimentação. E assim, têm modificado os índices de referência nas taxas específicas indicadoras dessas doenças.

A mais recente, envolveu a HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS): A Associação Americana do Coração, atualizou suas informações indicando a leitura 130/80mmHg como indicativa de alerta para Hipertensão (traduzindo: o popular "13 por 8" passa a ser considerado "pressão elevada". Os valores considerados normais ideais continuam sendo abaixo de 120/80mmHg.

SEM PÂNICO: Essa mudanças não significam que numa única medida que for tomada igual ou acima desse valor já lhe colocará como "hipertenso". O próprio guideline recomenda ao menos 3 medições em momentos distintos e com equipamentos qualificados. Sendo ainda recomendado o MAPA 24h, para diagnosticar a doença.

SEM REMÉDIOS: Outro fator preocupante é quanto a prescrição indiscriminada de medicações ou mesmo a automedicação, resultante do alarde causado pela proliferação de informações como essa sem as devidas ponderações. O índice "13 por 8", como informado anteriormente é um SINAL AMARELO! Um indicador de que já passou da hora de adotar hábitos mais saudáveis URGENTEMENTE, uma vez que seu risco de desenvolver complicações da pressão alta é DUPLICADO, segundo esses especialistas. Não saia tomando remédios sem a devida orientação.

DESDOBRAMENTOS: Essas diretrizes americanas foram divulgadas nesta semana, e já tiveram enorme repercussão na mídia, mas possivelmente as organizações nacionais ainda irão se pronunciar a respeito, com o intuito de melhor orientar a população, inclusive trazendo dados relativos a população brasileira.
Controle o estresse, reduza seu peso,
limite o álcool, não fume
e pratique exercícios



CONSULTE PROFISSIONAIS: Não adie seus cuidados com a saúde! Nessas novas diretrizes existem ainda recomendações de ordem nutricional (como aumento na ingestão de potássio), e de tratamento medicamentoso (apontando a medicação como indispensável apenas no estágio 2 da HAS, e restrições no uso dos betabloqueadores). Portanto, é imprescindível que você seja orientado por profissionais qualificados e especializados que possam orientar da melhor maneira quanto a prevenção e controle da HAS, através de dieta e exercícios físicos, bem como uma prescrição medicamentosa adequada e apenas quando realmente necessário. 


Confira abaixo a tabela de referência dos índices para Pressão arterial:

A pressão arterial passa a ser classificada como
  • Normal : quando PAS < 120mmHg + PAD < 80mmHg;
  • Elevada quando PAS estiver entre 120 e 129mmHg + PAD entre 80 e 89mmHg
  • Estágio 1 – Quando PAS estiver entre 130 e 139mmHg ou PAD entre 80-89mmHg
  • Estágio 2 – Quando PAS estiver acima ou igual a 140mmHg ou PAD acima ou igual a 90mmHg